
Depois de ler na imprensa sobre a morte de três jovens no Morro da Providência, o fotógrafo francês JR decidiu que ali seria sua próxima parada entre os lugares de que ouve falar pela mídia, e que busca conhecer com os próprios olhos. No morro, ele entrevistou e fotografou mulheres de todas as idades e, depois de bater de porta em porta, conseguiu colar seus rostos ampliados nas fachadas das casas de seus vizinhos, modificando a paisagem do local.
No começo, os moradores não perceberam o impacto. Depois, voltando do trabalho, eles começaram a ver o morro modificado e se deram conta de que era uma obra para ser vista pelas pessoas de fora - conta JR.
Oito meses depois, o francês de 26 anos, com ascendentes na Tunísia e no Leste Europeu, está de volta ao Rio. Ele leva os rostos da Providência à exposição "28 milímetros - Mulheres", que vai reabriu a Casa França-Brasil após reformas. As imagens também já estampam os Arcos da Lapa e as fachadas da Sala Cecília Meireles, do Teatro João Caetano e da própria Casa França-Brasil, no Centro. - Agora, o povo lá de baixo vai subir - brinca JR, do alto da laje do centro cultural, com vista estonteante da cidade.
O fotógrafo viaja com o dinheiro da venda de suas fotos - este ano, uma delas atingiu 26.250 libras num leilão da Sotheby's, em Londres. Já fotografou na Libéria, na Índia, no Ca

Aqui, os moradores da Providência, além de olharem para o público nas fachadas pela cidade e na exposição, poderão ver a reação dos convidados da inauguração na Casa França-Brasil, através de uma câmera que transmitirá o evento para uma mercearia do morro. Muitos estarão na abertura, onde as mulheres retratadas vão autografar os livros, e uma delas, Roberta Gomes, será a monitora durante todo o período da mostra - que seguirá para Londres, em outubro. E no sábado, na inauguração da exposição das crianças da Providência, eles também esperam ver o "público" no morro.

(Parcial de uma matéria do Jornal O Globo).