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9 de agosto de 2009

LE CORBUSIER





Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido pelo pseudônimo de Le Corbusier, foi um arquiteto,urbanista e pintor francês de origem suíça. É considerado juntamente comFrank Lloyd Wright, Alvar Aalto, Mies van der Rohe e Oscar Niemeyer, um dos mais importantes arquitetos doséculo XX.


Aos 29 anos mudou-se para Paris, onde adotou o seu pseudônimo, que foi buscar no nome do seu avô materno. A sua figura era marcada pelos seus óculos redondos de aros escuros. Morreu por afogamento em 27 de agosto de 1965.
Em 1929 e 1936 fez duas viagens - que o influenciarão, ao mesmo tempo que denotam a influência que ele próprio já tem - à América do Sul. Inserida na altura em que desenvolvia o projeto da sua Ville Radieuse a primeira destas viagens proporcionou-lhe a experiência de ver o Rio de Janeiro a partir do ar, guiado pelos aviadores Antoine de Saint-Exupéry e Meromz. A disposição da cidade, entalada entre o mar e o relevo escarpado de origem vulcânica sugeriu-lhe a idéia de uma cidade-viaduto (cidade linear).
Pensou, mesmo, para o Rio de Janeiro, uma estrada acompanhando a costa, a cerca de 100 metros de altura, abrigando, debaixo dela, quinze andares com possibilidade para criar habitações. Algo semelhante foi pensado para Argel. Este gênero de cidade foi, depois, adotado por arquitetos vanguardistas, defensores da anarquia como Yona Friedman e Nicolaas Habraken.

Le Corbusier lançou, em seu livro Vers une architecture (Por uma arquitetura, na tradução em português), as bases do movimento moderno de características funcionalistas. A pesquisa que realizou envolvendo uma nova forma de enxergar a forma arquitetônica baseado nas necessidades humanas revolucionou (juntamente com a atuação da Bauhaus na Alemanha) a cultura arquitetônica do mundo inteiro.
Le Corbusier defendia, jocosamente, que, "por lei, todos os edifícios deviam ser brancos", criticando qualquer esforço artificial deornamentação. As estruturas por ele idealizadas, de uma simplicidade e austeridade espartanas, nascidades, foram largamente criticadas por serem monótonas e desagradáveis para os peões. A cidade de Brasília foi concebida segundo as suas teorias.
Depois da sua morte, os seus detratores têm aumentado o tom das críticas, apelidando-o de inimigo das cidades. É, no entanto, absolutamente, um nome de referência na história da arquitetura contemporânea.
Até o dia 23 de agosto, aqui no Rio de Janeiro estará acontecendo a Mostra Le Corbusier na Caixa Cultural exibindo sua faceta de artista plástico.

19 de julho de 2009

ART NOUVEAU


A designação Art-Nouveau apareceu em 1895, como nome de um estabelecimento comercial especializado nas últimas criações do novo estilo que regia à severidade do estilo vitoriano conhecido na França como Luís Felipe e Napoleão III. O nome da casa era "La Maison de L'Art-Nouveau e se localizava na Rue de Provence, 22 - tendo como proprietário Samuel Bing.
Em 1889, comemorando o centenário da Revolução Francesa, foi montada em Paris a "L'Exposition Universale", inaugurando-se nesta data, além da Torre Eiffel. O Palácio de Belas Artes e o das Artes Liberais, a Galeria das Indústrias, a Galeria das Máquinas, toda de ferro e vidro, e o Palácio da Eletricidade. O período que vai da Exposição Universal até a década de 20 do século passado é conhecido como Art-Nouveau.

Marcel Proust descreve em seus livros com detalhes a vida e os ambientes com a fidelidade de um fotógrafo. Na literatura poética, aparece Paul Verlaine, Rimbaud e Mallarmèe. Na pintura, o italiano Giovanni Boldini retrata todas as figuras da sociedade, sempre com espírito Art-Nouveau. Na arte do vidro, Emile Gallé, Peynaud e Daum fazem escola na cristaleria de Nancy. Esse período Art-Nouveau também é conhecido como Belle Époque e na França ainda seria chamado de style metro, devido às guarnições de ferro floral que decoram as entradas de várias estações do metrô. A fase final deste período é conhecida como Liberty, sobrenome de Arthur Liberty, dono da firma Liberty Company, que vendia as únicas novidades do mobiliário e objetos de moda pertencente ao estilo Art-Nouveau, devido a criações inglesas, onde as formas curvas foram substituídas por motivos geométricos, que influenciarão o estilo que se segue - o estilo Art Déco.

17 de julho de 2009

ATELIER POPULAIRE




Em Maio de 1968, Paris assistiu a uma revolução de trabalhadores e estudantes contra o poder instituído e contra um sistema de educação tradicionalista.

Os estudantes da Escola de Belas Artes juntaram-se em greve sobe o nome de Atelier Populaire. Produziram imensos cartazes colocando-os nas ruas como forma de protesto.



Os cartazes foram produzidos em vários ateliers (anonimamente) através de técnicas como o stencil, a litografia e a serigrafia. Estas técnicas permitiram a produção em grande número por um preço reduzido.
São cartazes de grande vitalidade plástica e conceitual. As ilustrações são simples localizando-se em manchas de cor. Existe a utilização de uma tipografia baseada em fonts existentes assim como a utilização de uma tipografia manual.
Os slogans aparecem sempre em caixa alta, de forma a chamar mais atenção ao espectador.

São cartazes cromáticamente restritas onde é utilizado só uma cor (igual para a ilustração e para o texto) como o vermelho, o azul e o negro sobre um fundo branco.

O objetivo principal deste Atelier era a rejeição da cultura burguesa e o desenvolvimento de uma cultura artistica ao serviço da sociedade.
Crédito ao blog: Sebenta de Design

1 de julho de 2009

LE CENT QUATRE OU LE 104








Le Cente Quatre ou 104 é um dos mais impressionantes e dispendiosos projetos culturais de Paris nos últimos anos destinado a promover a arte e a criatividade.










39 000 m² de área é dedicada à arte. O projeto foi criação dos dois diretores, Robert Cantarella e Frédéric Fisbach.
Embora construído em uma antiga casa mortuária no 19 º arrondissement, a parede de tijolos, vários metros de teto e um telhado de vidro da nova arte mais complexa, assemelha a um armazém remodelado.



O principal argumento em favor do projeto foi o de promover e animar este pobre distrito de Paris, habitado na sua grande maioria por imigrantes de diversas origens étnicas, bem como a taxa de desemprego atingindo a 20%.



Atualmente ele abriga grande variedade de manifestações artísticas - exposições de jovens talentos, fóruns de arte, apresentações, fashion shows, concertos, exibições e seminários. É concebido para armazenar cerca de 30 diferentes projetos de arte a cada ano com a participação de pelo menos 200 artistas franceses e estrangeiros, abrangendo uma variedade de estilos- arquitetura, música, teatro, desenho e dança. São oferecidas atividades especiais para as crianças também.


A chamada Casa para Crianças foi criada como um playground para os mais novos visitantes - um lugar para falar, ouvir, socializar e criar suas próprias obras. Foi concebido pelos próprios artistas que trabalham no Le Cent Quatre, e que inclui absolutamente tudo - de móveis e objetos de design livros a brinquedos.






Le Cent Quatre também dispõe de um café, diversas lojas e uma enorme livraria. O restaurante de 300 m2 será aberto em 2010. É organizado em três áreas - a grande livraria que contem uma gama básica de literatura, as das crianças com livros e jogos, e área das artes, cobrindo todos os campos da prática artística.





A entrada é gratuita e está aberto todos os dias, menos as segundas-feiras.
104 rue d'Aubervilliers / 5 rue Curial 104 rue d'Aubervilliers / 5 rue Curial
Site: http:// www.104.fr


29 de junho de 2009

JARDIN DU GIVERNY - MONET







Em 1883 Monet decidiu morar numa pequena propriedade no campo em Giverny a setenta quilômetros de Paris.



A princípio sem conhecimento algum de botânica, planta de acordo com as cores das flores e as deixa crescer livremente. Posteriormente passa a se interessar pela ciência e começa a despender todo o dinheiro nos jardins.

É através deles que veio a inspiração para a série Ninféias, plantas essas originárias do Japão.






São dois os jardins. Um denominado Clos Normandes, que fica em frente a casa, e o outro, o jardim aquático japonês que fica do outro lado da estrada.
O Jardin Du Giverny fica fechado no inverno, ou seja, de 11 de janeiro a 31 de março.

23 de junho de 2009

JEAN BAPTISTE DEBRET



Jean Baptiste Debret nasceu em Paris, no ano de 1768, numa família de pessoas cultas e artistas. Foi discípulo de seu primo Jacques Louis David, líder do classicismo francês. Tornou-se conhecido em toda Europa após trabalhos realizados na Itália. Veio para o Brasil com a Missão de 1816 e aqui permaneceu por 15 anos, até a abdicação de D. Pedro I. Seus primeiros trabalhos realizados aqui foram "Retrato de D. João em trajes majestáticos" e "Desembarque da Arquiduquesa Leopoldina”. Debret chega ao Brasil, em 1816. Visto que tal feito coincidiu com a morte da então Rainha de Portugal, D. Maria I. O pintor francês estava incumbido, a partir de então, de retratar o funeral da Rainha e, evidentemente, a aclamação do novo monarca da Corte, inclusive o referido funeral. Paralelamente aos trabalhos de pintor e cenógrafo da monarquia, Debret exercia funções como membro fundador e pintor de história da Academia Imperial, conseguindo reunir condições no sentido de "produzir" novos artistas para o país.


Com Grandjean Montigny alugou uma casa no Centro do Rio de janeiro onde ministravam aulas. Percebendo que a demanda de alunos não parava de crescer, o Imperador decidiu por em prática o decreto que criaria a Academia Imperial de Belas Artes. Foi condecorado com a "Ordem de Cristo", pois eu trabalho muito agradava ao Imperador. Desgostoso e cansado das desavenças com Henrique José Silva, voltou a Paris em 1831 levando seu discípulo predileto, Araújo Porto Alegre. Deixou como seu substituto na cátedra de Pintura Histórica seu aluno Simplício Rodrigues Sá.

Em Paris publicou o álbum Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, uma visão romântica de tudo o que registrou em terras brasileira, predominando as figuram humanas em habitat natural ou realizando alguma ação.
Nas obras realizadas no Brasil, Debret coloca-se como um narrador impessoal, cujo centro das atenções é a sociedade que age sobre a natureza, transformando-a. o álbum está dividido em três volumes que apresentam os selvagens, os aspectos da floresta, o trabalho agrário, a forte presença do negro escravo, os artesãos urbanos, os costumes populares e os acontecimentos costumeiros do Rio de Janeiro do início do século XIX. Sua contribuição foi, portanto, tanto para a percepção de paisagens quanto de cenários urbanos. Sua obra é uma verdadeira crônica ilustrada da cultura da época, feita com certa dose de humor e ironia. Debret faleceu na França em 1848.







19 de junho de 2009

ÉMILE GALLÉ - O MAGO DOS VIDROS



Emile Gallé é considerado o mago do vidro. Oriundo de uma família em que lidar com o vidro e a cerâmica era uma tradição, com a sua obra ele marcou a Art Noveau como nenhum outro artista. A principal temática de seus artefatos são flores e folhagens, realizadas em camadas sobrepostas ao vidro, técnica por este desenvolvida, cujo nome em francês é "patê de verre", trabalhando com maestria a opacidade e translucidez do material. Uma produção de fins de século XIX e início do Século XX, traz específicamente paisagens tropicais, inspiradas no Rio de Janeiro, Brasil. A maior autoridade e colecionador destes exemplares é Marcio Roiter/RJ/Brasil, responsável também por boa parte da memória decô do período.

Trabalhando o vidro como forma de expressão, Gallé obtém uma unidade perfeita nas obras em que conjuga princípios estéticos, literários, da filosofia e da arte e, até mesmo das ciências naturais. Extremamente exigente com a qualidade técnica e artística - seja nos trabalhos de cerâmica ou de marchetaria - Gallé foi, sobretudo, o mestre inconfundível na arte do vidro. As produções nas oficinas de Gallé incluíram jarros, púcaros, compoteiras, garrafas, cálices, caixas, tinteiros, fruteiras, serviços de licor, candelabros, canecas de cerveja, cântaros, pitchers, e outros objetos utilitários e decorativos: principalmente os inigualáveis vasos e luminárias. Nestes últimos, à função primordial de iluminar - era o advento da luz elétrica - conjuga-se a criatividade impar do artista que mantém a individualidade em cada peça. São abajures, plafonnières, luminárias de teto e de mesa, entre os quais os conhecidos como cogumelos, que alcançam hoje preços fantásticos.

Os primeiros trabalhos de Gallé eram em cristal claro ou translucente (Clair-de-lune) e as formas usualmente clássicas. A decoração inspirava-se em temas populares da época: mitologia greco-romana, arabesco e caligrafias islâmicas, folclore medieval, paisagens holandesas do século XVII, icnografias egípcia e outras influências evidentes. Feita com a combinação de óxido de cobalto e potássio, "Clair-de-lune" era um azul pálido que tomava o tom de safira brilhante quando a luz refletia sobre ela.

Os últimos trabalhos eram opacos, multicoloridos, com formas naturalísticas que se adaptavam ao tema de que são exemplos os vasos-lírios.

A natureza era a grande fonte de expiração de Gallé: a flora, a zoologia, insetos, borboletas, motivos marinhos compõem decorações e ocupam assimetricamente as superfícies das peças. São desenhos que recriam a natureza de modo realístico, mas transfigurada pela sensibilidade do artista e que se apresenta em colorido vibrante ou se desdobra em nuances suaves revelando suas qualidades de excepcional colorista. O esmalte, a gravura, aplicações e esculturas foram técnicas empregadas isoladas ou conjuntamente por Gallé, além de montagens e bases em bronze e marfim. Os domínios de várias técnicas fazem de Gallé artista, decorador, colorista e paisagista sem igual. É com o processo marqueterie de verre que Gallé atinge a culminância da sua arte.

Emile Gallé nasceu em Nancy, 1846. E morreu na mesma cidade, em 1904. Seu pai Charles Gallé-Reinemer, era proprietário, desde 1845, da oficina de refinação de vidro em Nancy e da fábrica de fayence em Raon-l'Etapes e Saint-Clément. De 1826 a 1865 Emile Gallé faz estudos de Retórica, Filosofia e Botânica em Waimer e, de 1865 a 1866, de Mineralogia. Posteriormente, até fins de 1867, dedica-se à instrução teórica e prática na fábrica de vidro em Meisenthal, fornecedores de matéria prima para seu pai. Já em 1867, Gallé tem seu próprio laboratório para vidro naquele local. A partir de 1870, trabalha na fábrica de faiança do seu pai, em Saint-Clement. O ano de 1871 ele passa viajando entre Londres e Paris, onde visita museus e jardins botânicos.

Ao final da guerra franco-germânica em 1871, Meisenthal com a Alsácia-Lorena passa ao domínio da Alemanha. Em conseqüência, Gallé organiza uma pequena fábrica de vidro em Nancy e amplia a oficina de refinação da cidade. Quatro anos mais tarde também a fábrica de faiança de Saint-Clement é transferida para Nancy e Emile Gallé assume a direção. Em 1878, Gallé participa pela primeira vez da Exposição Mundial de Paris, apresentando vidros esmaltados e lapidados em estilo oriental. Tokouso Takashina, artista botânico japonês, passou os anos de 1885 a 1888 em Nancy, e Gallé recebeu do mestre oriental instruções sobre técnicas de pintura.

Na exposição Internacional de Paris, em 1878, quando recebeu quatro medalhas de ouro, pela primeira vez Gallé travou conhecimentos com seus contemporâneos. Foi lá que viu os primeiros vasos em cameo e conheceu as experiências em vidro de Eugene Rousseau, o vidro iridescente e as formas audaciosas produzidas pela cristallerie de Pantin.

Em 1883, ainda em Nancy, Gallé construiu uma nova e enorme fábrica tendo um grande estúdio para suas pesquisas e funda uma oficina para a fabricação de móveis com marchetaria. No ano seguinte ele apresenta na exposição Union Centrale des Arts Décoratifs, Paris, vidros parcialmente coloridos com decoração floral, conjugando lâminas de metal inclusas ou camadas de metal sobrepostas com pedaços de vidro colorido embutido. Gallé acentua a tendência simbólica de seus vidros com citações de poesia e literatura - verrerie parlante.

É a partir de 1897 que Gallé exibe seus primeiros objetos sobre os quais funde e introduz partes de vidro - marqueterie de verre.

As exposições mundiais de Paris em 1889 e 1900 representam a consagração definitiva de Emile Gallé, que recebe inúmeras medalhas de ouro, diversos Grand Prix e é nomeado Comandante da Legião de Honra. Estava com 51 anos de idade. Suas oficinas nessa época empregavam cerca de 300 artesãos. Apresentou na mostra inúmeros tipos novos de vidro, muitos vasos em "cameo" com motivos e desenhos copiados dos frisos egípcios, a série dos vasos "negros" onde se destacou o vaso "Orpheus" feito a partir de um desenho de Victor Prouve e com várias figuras esculpidas, inclusive a libélula com suas asas abertas. Este vaso encontra-se no Museu da Escola de Nancy. Outro vaso inovador (Museu do Conservatório de Artes e Ofícios de Paris) foi o "Papillons Blancs".

A mobília de Gallé foi mostrada pela primeira vez na exposição de 89, com grande impacto. Foram tantas as encomendas que precisou ampliar a fábrica. Fabricou mesas, cadeiras, escrivaninhas, estantes, mobília de quarto e de sala, tocheiros, porta bengalas, armações para espelho e até taco de bilhar.

Os Impressionistas tiveram grande influência sobre Gallé. "Sua rejeição pelo realismo pictórico em favor da 'impressão' passageira, nasceu do jogo de luzes e sombras e resultou em uma mudança da importância relativa ao artista e sua obra. As idéias sensíveis e criativas próprias do artista que era Gallé encontraram eco nas idéias impressionistas."

Nos anos de 1890 a fama do artista cresceu mais ainda. Tornou-se modismo oferecer vasos de Gallé como presente e Proust, Barão Rotschild, Germain Bapst, Montesquieu, políticos, as classes ricas e a nobreza, todos davam presentes de Gallé, inclusive a municipalidade de Paris freqüentemente encomendava vasos ao artista para presentear chefes de Estado e outros visitantes importantes.

Em 1901, Gallé funda a École de Nancy. Com sua morte - de leucemia, em 23 de setembro de 1904, seu genro, o historiador de arte Paul Perdrizet, assume a direção da empresa que passa a produzir em série os antigos modelos até 1931, quando se encerram as atividades.



Os primeiros vasos de Emile Gallé foram esmaltados e ele continuou a usar essa técnica até morrer. Os primeiros vasos datam de 1878 e foram executados em vidro transparente. A partir de 1880 ele passou a unir a técnica do esmalte com outras, como gravação em ácido e vidros esculpidos. Vidros Falantes foi o nome dado por Gallé aos vasos com inscrições. As peças que eram uma declaração simbolista ou impressionista receberam o nome de Poemas Vitrificados. Vasos Negros, também referência para os "verres hyalites" é a denominação de um grupo de vasos produzidos para a exposição internacional de Paris. A técnica consistia, grosso modo, em recobrir de negro ou marrom um vaso transparente e depois gravar com imagens. Vasos de Tristeza é um título genérico usado por Gallé para designar os vasos cujo clima evocasse pensamentos melancólicos, sentimentos de saudade, etc. Ele usava uma variedade de técnica e cores. Vidros Entalhados, Burilados: Gallé desenhava modelos florais e outros que eram gravados no vidro esmaltado, tantas vezes quanto necessário para revelar as cores do esmalte sob a superfície, obtendo uma enorme quantidade de nuances de cor e de efeitos.


Com raras exceções, os vidros produzidos pela Fábrica de Gallé eram assinados. A única exceção real eram os copos que faziam parte de um conjunto onde a assinatura ficava na peça maior.

2 de junho de 2009

CENTRO GEORGES POMPIDOU



O Centro Georges Pompidou (Centre national d'art et de culture Georges-Pompidou) é um complexo fundado em 1977 em Paris, que abriga museu, bibliotecas e teatro, entre outras manifestações culturais.
O centro anexou recentemente o Atelier Brancusi que abriga esculturas do artista romeno Constantin Brancusi em um ambiente que recria as condições de trabalho e a luminosidade de seu estúdio de criação.

Foi desenhado pelo arquiteto italiano Renzo Piano e pelo arquiteto também italiano naturalizado britânico Richard Rogers. O projeto foi considerado extremamente arrojado, sendo inserido em um momento de crise da arquitetura moderna, embora tenha sido bastante criticado.
Alguns teóricos afirmam que o Centro (tanto pela sua arquitetura quanto pela sua proposta) é um dos marcos do início da pós-modernidade nas artes.Sua implantação configura a existência de um espaço público (a praça do Centro) para o qual as suas atividades internas se estendem.


O Centro Pompidou é um dos principais exemplos da arquitetura high-tech, uma tendência dos anos 70 e que continua a ser explorada até hoje e se inspira na arquitetura industrial e nas novas tecnologias.
A arquitetura high tech utiliza os elementos tecnológicos como objetos estéticos. No Centro Pompidou, isto pode ser observado nas grandes tubulações aparentes (dutos de ar condicionado e outros serviços), nas escadas rolantes externas e no sistema estrutural em aço por sua semelhança aos sistemas industriais.

O Centro Pompidou é um dos museus mais visitados de Paris. Na biblioteca do centro há uma vasta coleção de livros, acesso gratuito à internet, jornais e revistas de todas as partes do mundo e televisões com canais internacionais. Na praça do Centro, no exterior do Museu, podemos sempre observar manifestações do público observando ou fazendo Arte. Até mesmo as crianças são estimuladas a participar.



LE MUR




A Associação LE MUR (Modulable, Urbain et Réacitfe) é uma associação que tem como objetivo "promover a arte moderna e, mais especificamente a Street Art (arte de rua)".

Criada em março de 2003 , juntamente com o artista Jean Faucheur, sua missão é a de pôr em prática lançamentos artísticos na cidade, mais especificamente sobre um muro de 3mx8m na cidade de Paris.








O mural fica na Rue Oberkampf com a Rue Saint Maure na 11 ème arrondissement.





Cada exposição dura duas semanas e são eventos ligados a visualização nas ruas.





A associação LE MUR seleciona os artistas e oferece-lhes acesso a oficina de produção, os paga e imprime um catálogo de todos os eventos. Este projeto é apoiado por entre outros, pela cidade de Paris.








Livros já foram publicados com o tema. Inclusive, encontrei um na Livraria Argumento

31 de maio de 2009

WASSILY KANDINSKY



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



Wassily Kandinsky (Moscou, 4 de dezembro de 1866Neuilly-sur-Seine, 13 de dezembro de 1944) foi um artista russo, professor da Bauhaus e introdutor da abstração no campo das artes visuais. Apesar da origem russa, adquiriu a nacionalidade francesa.


Nascido em Moscou, passou grande parte da infância em Odessa. De volta à capital russa, estudou Direito e Economia na Universidade de Moscou, chegando a diplomar-se em Direito aos 26 anos, mas desistiu dessa carreira.


Casou-se em 1892 com a sua prima Anja Tchimikian, que acompanhou Kandinsky em 1896 quando este se mudou para Munique, iniciando os seus estudos em pintura na escola de Anton Ažbè. O estilo da escola de Ažbè desiludiu Kandinsky, que preferia pintar paisagens coloridas ao ar livre em vez de modelos "malcheirosos, apáticos, inexpressivos, geralmente destituídos de caráter".


Após dois anos, Kandinsky tenta inscrever-se, sem sucesso, num curso ministrado por Franz von Stuck. Um ano depois Kandinsky ingressou finalmente no curso, que frequentou até 1900. Em Maio de 1901, Kandinsky co-fundou a sociedade artística Phalanx, e foi professor na escola fundada pouco tempo depois pela sociedade. Uma das suas alunas foi Gabriele Münter, que se tornou companheira de Kandinsky até 1914. Kandinsky separou-se de Anja Tchimikian em 1903.


Já na década de 1910 Kandinsky desenvolve seus primeiros estudos não figurativos, fazendo com que seja considerado o primeiro pintor ocidental a produzir uma tela abstrata. Algumas das suas obras desta época, como "Murnau - Jardim I" (1910) e "Grüngasse em Murnau" (1909) mostram a influência dos Verões que Kandinsky passava em Murnau nessa época, notando-se um crescente abstracionismo nas suas paisagens. Outra influência nas suas pinturas foi a música do compositor Arnold Schönberg, com quem Kandinsky manteve correspondência entre 1911 e 1914.


Com o eclodir da Primeira Guerra Mundial, Kandisnky é forçado a abandonar a Alemanha, partindo para a Suíça acompanhado por Gabriele Münter em 3 de Agosto de 1914, esperando um fim rápido do conflito. Quando este não se concretizou, Kandinsky voltou à Rússia, separando-se de Münter, a 16 de Novembro do mesmo ano. Aproveitando uma exposição em Estocolmo em 1916, Kandinsky permanece na Suécia, onde conhece a sua terceira companheira, a russa Nina de Andreewsky, até ao advento da Revolução Russa. Volta então à Rússia interessado nos rumos do país, mas desentende-se com as teorias da arte oficiais e retorna à Alemanha em 1921.



Em constante contato com os artistas da vanguarda, passa a lecionar na Bauhaus até 1933 quando a escola é fechada pelo governo nazista. Muda-se para Paris e aí viveu até o fim de sua vida. Faleceu em Neuilly-sur-Seine em 1944.


Em Paris, Kandinsky estava bastante isolado, uma vez que a pintura abstrata - particularmente a pintura abstrata geométrica – não foi reconhecida, sendo os movimentos mais apreciados o Impressionismo e o Cubismo. Kandinsky viveu num pequeno apartamento e criou o seu trabalho num estúdio construído na sua sala de estar. Formas biomórficas com flexibilidade e contornos não geométricos apareceram nas suas pinturas; formas que sugerem organismos externamente microscópicos mas que expressam sempre a vida interior do artista. Ele usou a cor pura nas suas composições que evocavam a arte popular de Slavonic e que era similar a preciosos trabalhos de marca-de-água. Nas suas obras, ocasionalmente misturava também areia para dar a textura de granulado aos quadros.



Quando estávamos em Paris fomos agraciadas em ver a exposição de Kandinsky no Centro Georges Pompidou.

22 de maio de 2009

JR


Depois de ler na imprensa sobre a morte de três jovens no Morro da Providência, o fotógrafo francês JR decidiu que ali seria sua próxima parada entre os lugares de que ouve falar pela mídia, e que busca conhecer com os próprios olhos. No morro, ele entrevistou e fotografou mulheres de todas as idades e, depois de bater de porta em porta, conseguiu colar seus rostos ampliados nas fachadas das casas de seus vizinhos, modificando a paisagem do local.


No começo, os moradores não perceberam o impacto. Depois, voltando do trabalho, eles começaram a ver o morro modificado e se deram conta de que era uma obra para ser vista pelas pessoas de fora - conta JR.

Oito meses depois, o francês de 26 anos, com ascendentes na Tunísia e no Leste Europeu, está de volta ao Rio. Ele leva os rostos da Providência à exposição "28 milímetros - Mulheres", que vai reabriu a Casa França-Brasil após reformas. As imagens também já estampam os Arcos da Lapa e as fachadas da Sala Cecília Meireles, do Teatro João Caetano e da própria Casa França-Brasil, no Centro. - Agora, o povo lá de baixo vai subir - brinca JR, do alto da laje do centro cultural, com vista estonteante da cidade.

O fotógrafo viaja com o dinheiro da venda de suas fotos - este ano, uma delas atingiu 26.250 libras num leilão da Sotheby's, em Londres. Já fotografou na Libéria, na Índia, no Camboja, no Quênia, no Oriente Médio. O projeto "Mulheres", que trouxe JR ao Rio, começou em Monróvia, na Libéria, e já passou por Nova Déhli e por uma favela queniana de Kibera - o único lugar onde, em vez de papel, as fotos foram impressas em vinil, sendo usadas como tetos das casas, antes sem proteção.
Aqui, os moradores da Providência, além de olharem para o público nas fachadas pela cidade e na exposição, poderão ver a reação dos convidados da inauguração na Casa França-Brasil, através de uma câmera que transmitirá o evento para uma mercearia do morro. Muitos estarão na abertura, onde as mulheres retratadas vão autografar os livros, e uma delas, Roberta Gomes, será a monitora durante todo o período da mostra - que seguirá para Londres, em outubro. E no sábado, na inauguração da exposição das crianças da Providência, eles também esperam ver o "público" no morro.
(Parcial de uma matéria do Jornal O Globo).

21 de maio de 2009

SOPHIE CALLE







Sophie Calle (nascida em 1953) é uma escritora francesa, fotógrafa, artista plástica.

Calle começou a trabalhar como artista na década de 1970, após viajar o mundo por sete anos. . Quando ela voltou a Paris, sua terra natal sentiu-se isolada e perdida, o que inspirou no seu isolamento, para investigar a vida das pessoas ao seu redor.

Suas primeiras fotografias foram marcadas por sepulturas de mãe e pai.
Embora muito do seu trabalho empregue o voyeurismo, Calle colocou sua própria vida em exibição também. . Ela ficou tão intrigada com ela seguindo os passos de pessoas, que quis inverter a relação, e se tornar o próprio sujeito. Ela pediu a mãe para contratar um detetive particular para seguir os seus passos, sem que o detetive soubesse do que ela havia tramado, com a esperança que a sua investigação pudesse fornecer provas fotográficas de sua existência. Em Venitienne Suite (1979), Calle seguiu um homem que conheceu numa festa em Paris, onde ela própria disfarçada o seguiu até Veneza, fotografando-o.

Calle identifica-o apenas como Henri B. Inclui fotografias acompanhadas de texto.

No ano seguinte, Calle organizou O Sleepers, um projeto em que ela convidou 24 pessoas para ocupar o seu leito continuamente durante oito dias. Alguns eram amigos, ou amigos de amigos, e alguns foram estranhos a ela. Ela serviu-lhes comida e fotografou-os a cada hora.

Um dos primeiros projetos da Calle a gerar controvérsia foi o Address Book (1983). O jornal francês Liberation convidou-a a publicar uma série de 28 artigos. Tendo encontrado recentemente um caderno de endereços na rua (que ela fotocopiou e devolveu ao seu proprietário), decidiu ligar para alguns dos números de telefone no caderno e falar com as pessoas sobre o seu proprietário.
Para as transcrições dessas conversas, Calle adicionou fotografias das atividades favoritas do homem, criando um retrato de uma pessoa que ela jamais viu, por meio dos seus conhecidos.Os artigos foram publicados, mas após a descoberta deles, o proprietário do caderno de endereços, um cineasta chamado Pierre Baudry, ameaçou processar a artista por invasão de privacidade. Com informações sobre Calle, o proprietário do caderno descobriu uma fotografia dela nua, e exigiu que o jornal publicasse em retaliação por aquilo que deve ser entendido por uma indesejável intromissão na sua vida privada.

A fim de executar seu projeto The Hotel (1981), ela foi contratada como arrumadeira em um hotel de Veneza, onde foi capaz de explorar os escritos e objetos dos hóspedes do hotel. "Passei um ano para encontrar o hotel, passei três meses passando o texto e escrevendo-o, passei três meses tirando as fotografias, e passei um dia decidindo se seria esta a dimensão e este quadro... é o último pensamento no processo.”

Outro dos projetos de Calle intitula-se O Cego (1986), para a qual ela entrevistou pessoas cegas, e pediu-lhes para definir a beleza. Suas respostas foram acompanhadas por sua impressão fotográfica, e retratos dos entrevistados. Em 1996, Calle produz um filme intitulado Sexo Última Noite que ela criou em colaboração com o fotógrafo americano Gregory Shephard (seu namorado na época).O filme documenta a viagem pela América, que termina em casamento numa capela em Las Vegas. Ao invés de seguir o gênero convencional de uma história ou de um romance, o filme é projetado para documentar o resultado de um homem e uma mulher que mal se conheciam e embarcam juntos numa viagem íntima.
Calle é conhecida em grande parte pelas obras combinando textos e imagens fotográficas, em um estilo “cool”. A ”Cerimônia de Aniversário” é o seu primeiro grande trabalho e foi concebido especialmente para Art Now 14. Embora feito em 1998, o trabalho tem suas origens nos anos de 1980 a 1993, quando Calle inventa e sustenta uma série de rituais privados e partilhados em torno de seu aniversário. Estas são manifestados como arte, demonstrando quão perto sua vida e sua arte estariam interligadas.

Durante estes catorze anos, Calle proporciona um jantar anual realizando uma festa na noite do seu aniversário. Para cada festa ela convida um grupo de amigos e parentes, o número exato de convidados que corresponde ao número de anos de idade, com um adicional, anônimo hóspede nomeado escolhido por um convidado, para simbolizar o desconhecido do seu futuro. Este foi o mais ambicioso projeto de uma série de rituais que Calle já teria inventado para substituir um obsessiva insegurança que ela experimentou no início da idade adulta. Os convidados traziam presentes, sinais de amor e carinho, e estes Calle exibia em um armário com frentes em vidro, como um constante lembrete desta afeição. No ano seguinte, os objetos se espremiam para dar espaço aos novos presentes. Quando ela completou quarenta anos, em 1993, Calle curou-se desta obsessiva insegurança e já não sentia a necessidade de recordar a sua amizade e laços familiares dessa maneira bizarra.

Os presentes guardados incluem obras de arte, livros e cartas, lixo e antiguidades, itens furtados de um restaurante, garrafas de vinho, chocolates e assim por diante. Colocados atrás do vidro de um armário os objetos de desejo e frustração para o espectador, que não pode pegar nem desembrulhar.

Os doadores nem sempre são identificados e, portanto, é muitas vezes impossível saber se as obras de arte foram dadas pelos próprios artistas (provável no caso de Christian Boltanski ou Annette Messager, improvável no caso do falecido Yves Klein). A mãe de Calle é claramente responsável pelas sensatas e substanciais doações de equipamentos domésticos que chegam todos os anos – grandes demais para mostrar por detrás de vidro e que são representados pela garantia do fabricante. Em outros casos, um determinado tema surge ao longo do tempo: alguém lhe dá frequentemente chapéus.

Calle primeiro explorou este ritual em uma obra fotográfica retratando o armário e seu conteúdo, reduzindo a cerimônia anual e seus objetos, associados a uma série de registros documentais. A Cerimônia de Aniversário chama a nossa atenção para a maneira pela qual construímos nossa identidade em torno de rituais secretos (a partir de formas de auto-indulgência, a formas de autonegação) e com os objetos e as atividades que dão significado e substância à nossa tanto privada como a vida pública. Em transformar pessoais ritual público em exibição “A Cerimônia de Aniversário” também suscita questões sobre o significado desses objetos.

Calle pediu ao escritor e cineasta Paul Auster "para inventar uma personagem que se assemelhasse a ela”. Surge Maria Turner em Leviatã (1992). Esta mistura de realidade e ficção intrigou tanto Calle, que ela criou obras de arte através da personagem ficcional. Em Quarto com uma Vista (2003), Calle passa a noite em uma cama instalada no topo da Torre Eiffel. Ela convidou várias pessoas a ficarem deitadas com ela e lerem histórias, a fim de mantê-la acordada durante a noite. No mesmo ano, teve sua primeira mostra no Musée National d'Art Moderne no Centro Georges Pompidou em Paris.

Na Venice Biennale 2007, Sophie Calle apresentou “Cuide de Você”, palavra da última linha da mensagem que seu ex (Gregore Bouillier) havia deixado para ela em um e-mail. Calle pediu a cento e sete mulheres, incluindo uma atriz (Victoria Abril), uma palhaça e uma bailarina para interpretarem o e-mail e apresentou os resultados no pavilhão francês.

Na sua mostra, na galeria, Calle freqüentemente fornece formas de sugerir como os visitantes devem ser encorajados a apresentar idéias para a sua arte, enquanto ela se senta ao lado deles com uma expressão desinteressada.




O trabalho de Sophie Calle está em exibição até 28 de junho no OI Futuro, no Rio, na exposição coletiva “Meias Verdades”.

17 de maio de 2009

A ARTE NOS RÓTULOS DOS VINHOS MOUTON-ROTHSCHILD

Mas vamos ao que interessa, que é explicar porque o Mouton Rothschild é tão badalado e detém o recorde de vinho mais caro do mundo, já que em 2006 um lote de 12 garrafas da safra de 1945 foi arrematado por 228,5 mil euros (ou US$ 290 mil), o que equivale a 22.650 por garrafa, num leilão da Christie's.

O Château Mouton Rothschild é um Premier Grand Cru Classé, de acordo com a classificação oficial dos vinhos de Bordeaux 1855. Ele compartilha essa rara distinção, ou seja, o topo do topo, com Château Margaux, o Château Latour, o Château Lafite Rothschild e Château Haut-Brion.Mas nem sempre foi assim: o Mouton Rothschild não constava da relação original de 1855. Era um Deuxième Grand Cru Classé e sua promoção só foi obtida em 1973, quando o Ministério da Agricultura francês promoveu uma revisão na classificação dos vinhos da região.A promoção, no entanto, não caiu do céu. Foi fruto de uma obstinada luta da família Rothschild.

O barão Phillipe de Rothschild nunca se conformou em ver sua cria fora da elite dos vinhos de Bordeaux e estampou durante anos nos rótulos de seus vinhos a seguinte frase “Premier ne puis, second ne daigne Mouton suis” (Primeiro não posso ser, segundo não me chamarei, Mouton eu sou).

Depois de 1973, o bordão inconformado passou a ser “Premier je suis, second je fus, Mouton ne change” (Primeiro eu sou, segundo eu fui, Mouton não muda).

Outra peculiaridade dos vinhos elaborados pelo Château Mouton Rothschild é que, desde a safra de 1945, o rótulo é diferente em cada ano, muitas vezes ilustrado por personalidades e artistas plásticos de primeira grandeza como Chagall, Miró e Picasso, por exemplo.
O Château Mouton Rothschild é particularmente famoso pelos seus rótulos, que são realizados anualmente por um artista diferente. Em 1945, o barão decidiu comemorar a vitória na Segunda Guerra Mundial, rotulando o Mouton Rothschild com um V de Vitória desenhado por Philippe Jullian. A tradição perdura até hoje, mas a partir de 1955 esses rótulos passaram a ser produzidos por artistas que não são pagos pelo trabalho, mas recebem vinhos de duas diferentes colheitas, incluindo uma que ele tenha ilustrado.

Abaixo está o site com todos os rótulos já produzidos, clique em cada um e saiba quem foi o artista e veja a imagem ampliada.



O meu eleito foi o rótulo da safra de 1982 - O ator, diretor e talentoso aquarelista Jonh Huston (1906-1987) foi quem o ilustrou. Uma das suas últimas pinturas, o rótulo mostra o carneiro de Mouton saltando de alegria com seus companheiros, o sol e a vinha.

8 de maio de 2009

CÓDIGO DE HAMURABI


Sexto rei sumério durante período controverso (1792-1750 ou 1730-1685 A.C.) e nascido em Babel, “Khammu-rabi” (pronúncia em babilônio) foi fundador do 1o Império Babilônico (correspondente ao atual Iraque), unificando amplamente o mundo mesopotâmico, unindo os semitas e os sumérios e levando a Babilônia ao máximo esplendor. O nome de Hamurabi permanece indissociavelmente ligado ao código jurídico tido como o mais remoto já descoberto: o Código de Hamurabi. O legislador babilônico consolidou a tradição jurídica, harmonizou os costumes e estendeu o direito e a lei a todos os súditos.


Seu código estabelecia regras de vida e de propriedade, apresentando leis específicas, sobre situações concretas e pontuais. O texto de 281 preceitos (indo de 1 a 282 mas excluindo a cláusula 13 por superstições da época) foi reencontrado sob as ruínas da acrópole de Susa por uma delegação francesa na Pérsia e transportado para o Museu do Louvre, Paris. Consiste em um monumento talhado em dura pedra negra e cilíndrica de diorito. O tronco de pedra possui 2,25m de altura, 1,60m de circunferência na parte superior e 1,90m na base. Toda a superfície dessa “estela” cilíndrica de diorito está coberta por denso texto cuneiforme, de escrita acádica. Em um alto-relevo retrata-se a figura de “Khammu-rabi” recebendo a insígnia do reinado e da justiça de Shamash, deus dos oráculos. O código apresenta, dispostas em 46 colunas de 3.600 linhas, a jurisprudência de seu tempo, um agrupamento de disposições casuísticas, de ordem civil, penal e administrativa. Mesmo havendo sido formulado a cerca de 4000 anos, o Código de Hamurabi apresenta algumas tentativas primeiras de garantias dos direitos humanos.

Trechos Selecionados


1. Se alguém enganar a outrem, difamando esta pessoa, e este outrem não puder provar, então que aquele que enganou deve ser condenado à morte.

2. Se alguém fizer uma acusação a outrem, e o acusado for ao rio e pular neste rio, se ele afundar, seu acusador deverá tomar posse da casa do culpado, e se ele escapar sem ferimentos, o acusado não será culpado, e então aquele que fez a acusação deverá ser condenado à morte, enquanto que aquele que pulou no rio deve tomar posse da casa que pertencia a seu acusador.

3. Se alguém trouxer uma acusação de um crime frente aos anciões, e este alguém não trouxer provas, se for pena capital, este alguém deverá ser condenado à morte.

(...)

5. Um juiz deve julgar um caso, alcançar um veredicto e apresentá-lo por escrito. Se erro posterior aparecer na decisão do juiz, e tal juiz for culpado, então ele deverá pagar doze vezes a pena que ele mesmo instituiu para o caso, sendo publicamente destituído de sua posição de juiz, e jamais sentar-se novamente para efetuar julgamentos.

6. Se alguém roubar a propriedade de um templo ou corte, ele deve ser condenado à morte, e também aquele que receber o produto do roubo do ladrão deve ser igualmente condenado à morte.

7. Se alguém comprar o filho ou o escravo de outro homem sem testemunhas ou um contrato, prata ou ouro, um escravo ou escrava, um boi ou ovelha, uma cabra ou seja o que for, se ele tomar este bem, este alguém será considerado um ladrão e deverá ser condenado à morte.

8. Se alguém roubar gado ou ovelhas, ou uma cabra, ou asno, ou porco, se este animal pertencer a um deus ou à corte, o ladrão deverá pagar trinta vezes o valor do furto; se tais bens pertencerem a um homem libertado que serve ao rei, este alguém deverá pagar 10 vezes o valor do furto, e se o ladrão não tiver com o que pagar seu furto, então ele deverá ser condenado à morte.

9. Se alguém perder algo e encontrar este objeto na posse de outro: se a pessoa em cuja posse estiver o objeto disser " um mercador vendeu isto para mim, eu paguei por este objeto na frente de testemunhas" e se o proprietário disse" eu trarei testemunhas para que conhecem minha propriedade" , então o comprador deverá trazer o mercador de quem comprou o objeto e as testemunhas que o viram fazer isto, e o proprietário deverá trazer testemunhas que possam identificar sua propriedade. O juiz deve examinar os testemunhos dos dois lados, inclusive o das testemunhas. Se o mercador for considerado pelas provas ser um ladrão, ele deverá ser condenado à morte. O dono do artigo perdido recebe então sua propriedade e aquele que a comprou recebe o dinheiro pago por ela das posses do mercador.

10. Se o comprador não trouxer o mercador e testemunhas ante a quem ante quem ele comprou o artigo, mas seu proprietário trouxer testemunhas para identificar o objeto, então o comprador é o ladrão e deve ser condenado à morte, sendo que o proprietário recebe a propriedade perdida.

11. Se o proprietário não trouxer testemunhas para identificar o artigo perdido, então ele está mal-intencionado, e deve ser condenado à morte.

12. Se as testemunhas não estiverem disponíveis, então o juiz deve estabelecer um limite, que se expire em seis meses. Se suas testemunhas não aparecerem dentro de seis meses, o juiz estará agindo de má fé e deverá pagar a multa do caso pendente.

[Nota: não há 13ª Lei no Código, 13 provavelmente sendo considerado um número de azar ou então sacro]

14. Se alguém roubar o filho menor de outrem, este alguém deve ser condenado à morte.

15. Se alguém tomar um escravo homem ou mulher da corte para fora dos limites da cidade, e se tal escravo homem ou mulher, pertencer a um homem liberto, este alguém deve ser condenado à morte.

16. Se alguém receber em sua casa um escravo fugitivo da corte, homem ou mulher, e não trouxe-lo à proclamação pública na casa do governante local ou de um homem livre, o mestre da casa deve condenado à morte.

17. Se alguém encontrar um escravo ou escrava fugitivos em terra aberta e trouxe-los a seus mestres, o mestre dos escravos deverá pagar a este alguém dois shekels de prata.

18. Se o escravo não der o nome de seu mestre, aquele que o encontrou deve trazê-lo ao palácio; uma investigação posterior deve ser feita, e o escravo devolvido a seu mestre.

19. Se este alguém mantiver os escravos em sua casa, e eles forem pegos lá, ele deverá ser condenado à morte.

20. Se o escravo que ele capturou fugir dele, então ele deve jurar aos proprietários do escravo, e ficar livre de qualquer culpa.

21. Se alguém arrombar uma casa, ele deverá ser condenado à morte na frente do local do arrombamento e ser enterrado.

22. Se estiver cometendo um roubo e for pego em flagrante, então ele deverá ser condenado à morte.

23. Se o ladrão não for pego, então aquele que foi roubado deve jurar a quantia de sua perda; então a comunidade e... em cuja terra e em cujo domínio deve compensá-lo pelos bens roubados.
(...)

38. Um capitão, homem ou alguém sujeito a despejo não pode responsabilizar por a manutenção do campo, jardim e casa a sua esposa ou filha, nem pode usar este bem para pagar um débito.

39. Ele pode, entretanto, assinalar um campo, jardim ou casa que comprou e que mantém como sua propriedade, para sua esposa ou filha e dar-lhes como débito.

40. Ele pode vender campo, jardim e casa a um agente real ou a qualquer outro agente público, sendo que o comprador terá então o campo, a casa e o jardim para seu usufruto.

41. Se fizer uma cerca ao redor do campo, jardim e casa de um capitão ou soldado, quando do retorno destes, a campo, jardim e casa deverão retornar ao proprietário.

42. Se alguém trabalhar o campo, mas não obtiver colheita dele, deve ser provado que ele não trabalhou no campo, e ele deve entregar os grãos para o dono do campo.

43. Se ele não trabalhar o campo e deixá-lo pior, ele deverá retrabalhar a terra e então entregá-la de volta ao seu dono.

(...)

48. Se alguém tiver um débito de empréstimo e uma tempestade prostrar os grãos ou a colheita for ruim ou os grãos não crescerem por falta d'água, naquele ano a pessoa não precisa dar ao seu credor dinheiro algum, ele devendo lavar sua tábua de débito na água e não pagar aluguel naquele ano.

(...)

116. Se o prisioneiro morrer na prisão por mau tratamento, o chefe da prisão deverá condenar o mercador frente ao juiz. Caso o prisioneiro seja um homem livre, o filho do mercador deverá ser condenado à morte; se ele era um escravo, ele deverá pagar 1/3 de uma mina em outro, e o chefe de prisão deve pagar pela negligência.

(...)

127. Se alguém "apontar o dedo" (enganar) a irmã de um deus ou a esposa de outro alguém e não puder provar o que disse, esta pessoa deve ser levada frente aos juízes e sua sobrancelha deverá ser marcada.
128. Se um homem tomar uma mulher como esposa, mas não tiver relações com ela, esta mulher não será esposa dele.

129. Se a esposa de alguém for surpreendida em flagrante com outro homem, ambos devem ser amarrados e jogados dentro d'água, mas o marido pode perdoar a sua esposa, assim como o rei perdoa a seus escravos.

130. Se um homem violar a esposa (prometida ou esposa-criança) de outro homem, o violador deverá ser condenado à morte, mas a esposa estará isenta de qualquer culpa.

131. Se um homem acusar a esposa de outrém, mas ela não for surpreendida com outro homem, ela deve fazer um juramento e então voltar para casa.

132. Se o "dedo for apontado" para a esposa de um homem por causa de outro homem, e ela não for pega dormindo com o outro homem, ela deve pular no rio por seu marido.

133. Se um homem for tomado como prisioneiro de guerra, e houver sustento em sua casa, mas mesmo assim sua esposa deixar a casa por outra, esta mulher deverá ser judicialmente condenada e atirada na água.

134. Se um homem for feito prisioneiro de guerra e não houver quem sustente sua esposa, ela deverá ir para outra casa, e a mulher estará isenta de toda e qualquer culpa.

135. Se um homem for feito prisioneiro de guerra e não houver quem sustente sua esposa, ela deverá ir para outra casa e criar seus filhos. Se mais tarde o marido retornar e voltar à casa, então a esposa deverá retornar ao marido, assim como as crianças devem seguir seu pai.

136. Se fugir de sua casa, então sua esposa deve ir para outra casa. Se este homem voltar e desejar Ter sua esposa de volta, por que ele fugiu, a esposa não precisa retornar a seu marido.

137. Se um homem quiser se separar de uma mulher ou esposa que lhe deu filhos, então ele deve dar de volta o dote de sua esposa e parte do usufruto do campo, jardim e casa, para que ela possa criar os filhos. Quando ela tiver criado os filhos, uma parte do que foi dado aos filhos deve ser dada a ela, e esta parte deve ser igual a de um filho. A esposa poderá então se casar com quem quiser.

138. Se um homem quiser se separar de sua esposa que lhe deu filhos, ele deve dar a ela a quantia do preço que pagou por ela e o dote que ela trouxe da casa de seu pai, e deixá-la partir.
(...)

148. Se um homem tomar uma esposa, e ela adoecer, se ele então desejar tomar uma Segunda esposa, ele não deverá abandonar sua primeira esposa que foi atacada por uma doença, devendo mantê-la em casa e sustentá-la na casa que construiu para ela enquanto esta mulher viver.

(...)

154. Se um homem for culpado de incesto com sua filha, ele deverá ser exilado.

155. Se um homem prometer uma donzela a seu filho e seu filho ter relações com ela, mas o pai também tiver relações com a moça, então o pai deve ser preso e ser atirado na água para se afogar.

(...)

185. Se um homem adotar uma criança e der seu nome a ela como filho, criando-o, este filho crescido não poderá ser reclamado por outrém.186. Se um homem adotar uma criança e esta criança ferir seu pai ou mãe adotivos, então esta criança adotada deverá ser devolvida à casa de seu pai.

(...)

190. Se um homem não sustentar a criança que adotou como filho e criá-lo com outras crianças, então o filho adotivo pode retornar à casa de seu pai.

191. Se um homem, que tenha adotado e criado um filho, fundado um lar e tido filhos, desejar desistir de seu filho adotivo, este filho não deve simplesmente desistir de seus direitos. Seu pai adotivo deve dar-lhe parte da legítima, e só então o filho adotivo poderá partir, se quiser. Ele não deve dar, porém, campo, jardim ou casa a este filho.

(...)

194. Se alguém der seu filho para uma ama (babá) e a criança morrer nas mãos desta ama, mas a ama, com o desconhecimento do pai e da mãe, cuidar de outra criança, então eles devem acusá-la de estar cuidando de uma outra criança sem o conhecimento do pai e da mãe. O castigo desta mulher será Ter os seus seios cortados.

(...)

continua até 282.“...Para que o forte não prejudique o mais fraco, afim de proteger as viúvas e os órfãos, ergui a Babilônia...para falar de justiça a toda a terra, para resolver todas as disputas e sanar todos os ferimentos, elaborei estas palavras preciosas...”(retirado do Epílogo do Código de Hamurabi).