23 de maio de 2009

TORRE EIFFEL



Torre Eiffel é uma torre de ferro construída no Champ-de-Mars ao lado do Rio Sena em Paris. A torre tornou-se um ícone mundial da França e uma das mais conhecidas estruturas do mundo.


Inaugurada em 31 de março de 1889, a Torre Eiffel foi construída para honrar o centenário da Revolução Francesa.


Era para ser uma estrutura temporária, mas posteriormente tomaram a decisão de não desmontá-la. O Governo da França planejou uma Exposição Mundial e anunciou uma competição de Design arquitetônico para um monumento que seria construído no Champ-de-Mars no centro de Paris. Mais de cem designs foram submetidos ao concurso. O comitê do Centenário escolheu o projeto do engenheiro Gustave Eiffel (1832-1923), de quem herdaria o nome, da torre com uma estrutura metálica e se tornaria, então, a estrutura mais alta do mundo construída pelo homem. Com seus 317 metros de altura possuía 7300 toneladas quando foi construída, sendo que atualmente deva passar das 10000, já que são abrigados restaurantes, museus lojas, entre muitas outras estruturas que não possuía na época de sua construção.


Eiffel, um notável construtor de pontes, era mestre nas construções metálicas e havia desenhado a armação da Estátua da Liberdade erguida pouco antes no porto de Nova York. Quando o contrato de vinte anos do terreno da Exposição Mundial (de 1889) expirou, em 1909 a Torre Eiffel quase que foi demolida, mas o seu valor como uma antena de transmissão de rádio a salvou. Os últimos vinte metros desta magnífica torre correspondem a antena de rádio que foi adicionada posteriormente.

A torre manteve-se como o monumento mais alto do mundo ao longo de mais de quarenta anos. Foi destronada em 1930 com o Chrysler Building de Nova York de 319 metros.

Ao todo, desde a abertura já recebeu um total de 244 milhões de visitantes.

Hoje, a torre é visitada anualmente por 6,9 milhões de pessoas.

Os nomes de setenta e dois cientistas, engenheiros e franceses notáveis estão gravados em reconhecimento a suas contribuições por Gustave Eiffel. Estas gravações foram cobertas de tinta no começo do século XX, e restauradas em 1986-1987 pela Société Nouvelle d'exploitation de la Tour Eiffel, uma companhia contratada para negócios relacionados à Torre.

Este ano será redesenhada a plataforma panorâmica do último andar e conferir uma nova silhueta à torre, o projecto expandirá a área acessível ao público de 280 para 580 metros quadrados numa estrutura em Kevlar (fibra sintética) com projeto do arquiteto francês David Serero.

22 de maio de 2009

JR


Depois de ler na imprensa sobre a morte de três jovens no Morro da Providência, o fotógrafo francês JR decidiu que ali seria sua próxima parada entre os lugares de que ouve falar pela mídia, e que busca conhecer com os próprios olhos. No morro, ele entrevistou e fotografou mulheres de todas as idades e, depois de bater de porta em porta, conseguiu colar seus rostos ampliados nas fachadas das casas de seus vizinhos, modificando a paisagem do local.


No começo, os moradores não perceberam o impacto. Depois, voltando do trabalho, eles começaram a ver o morro modificado e se deram conta de que era uma obra para ser vista pelas pessoas de fora - conta JR.

Oito meses depois, o francês de 26 anos, com ascendentes na Tunísia e no Leste Europeu, está de volta ao Rio. Ele leva os rostos da Providência à exposição "28 milímetros - Mulheres", que vai reabriu a Casa França-Brasil após reformas. As imagens também já estampam os Arcos da Lapa e as fachadas da Sala Cecília Meireles, do Teatro João Caetano e da própria Casa França-Brasil, no Centro. - Agora, o povo lá de baixo vai subir - brinca JR, do alto da laje do centro cultural, com vista estonteante da cidade.

O fotógrafo viaja com o dinheiro da venda de suas fotos - este ano, uma delas atingiu 26.250 libras num leilão da Sotheby's, em Londres. Já fotografou na Libéria, na Índia, no Camboja, no Quênia, no Oriente Médio. O projeto "Mulheres", que trouxe JR ao Rio, começou em Monróvia, na Libéria, e já passou por Nova Déhli e por uma favela queniana de Kibera - o único lugar onde, em vez de papel, as fotos foram impressas em vinil, sendo usadas como tetos das casas, antes sem proteção.
Aqui, os moradores da Providência, além de olharem para o público nas fachadas pela cidade e na exposição, poderão ver a reação dos convidados da inauguração na Casa França-Brasil, através de uma câmera que transmitirá o evento para uma mercearia do morro. Muitos estarão na abertura, onde as mulheres retratadas vão autografar os livros, e uma delas, Roberta Gomes, será a monitora durante todo o período da mostra - que seguirá para Londres, em outubro. E no sábado, na inauguração da exposição das crianças da Providência, eles também esperam ver o "público" no morro.
(Parcial de uma matéria do Jornal O Globo).

21 de maio de 2009

SOPHIE CALLE







Sophie Calle (nascida em 1953) é uma escritora francesa, fotógrafa, artista plástica.

Calle começou a trabalhar como artista na década de 1970, após viajar o mundo por sete anos. . Quando ela voltou a Paris, sua terra natal sentiu-se isolada e perdida, o que inspirou no seu isolamento, para investigar a vida das pessoas ao seu redor.

Suas primeiras fotografias foram marcadas por sepulturas de mãe e pai.
Embora muito do seu trabalho empregue o voyeurismo, Calle colocou sua própria vida em exibição também. . Ela ficou tão intrigada com ela seguindo os passos de pessoas, que quis inverter a relação, e se tornar o próprio sujeito. Ela pediu a mãe para contratar um detetive particular para seguir os seus passos, sem que o detetive soubesse do que ela havia tramado, com a esperança que a sua investigação pudesse fornecer provas fotográficas de sua existência. Em Venitienne Suite (1979), Calle seguiu um homem que conheceu numa festa em Paris, onde ela própria disfarçada o seguiu até Veneza, fotografando-o.

Calle identifica-o apenas como Henri B. Inclui fotografias acompanhadas de texto.

No ano seguinte, Calle organizou O Sleepers, um projeto em que ela convidou 24 pessoas para ocupar o seu leito continuamente durante oito dias. Alguns eram amigos, ou amigos de amigos, e alguns foram estranhos a ela. Ela serviu-lhes comida e fotografou-os a cada hora.

Um dos primeiros projetos da Calle a gerar controvérsia foi o Address Book (1983). O jornal francês Liberation convidou-a a publicar uma série de 28 artigos. Tendo encontrado recentemente um caderno de endereços na rua (que ela fotocopiou e devolveu ao seu proprietário), decidiu ligar para alguns dos números de telefone no caderno e falar com as pessoas sobre o seu proprietário.
Para as transcrições dessas conversas, Calle adicionou fotografias das atividades favoritas do homem, criando um retrato de uma pessoa que ela jamais viu, por meio dos seus conhecidos.Os artigos foram publicados, mas após a descoberta deles, o proprietário do caderno de endereços, um cineasta chamado Pierre Baudry, ameaçou processar a artista por invasão de privacidade. Com informações sobre Calle, o proprietário do caderno descobriu uma fotografia dela nua, e exigiu que o jornal publicasse em retaliação por aquilo que deve ser entendido por uma indesejável intromissão na sua vida privada.

A fim de executar seu projeto The Hotel (1981), ela foi contratada como arrumadeira em um hotel de Veneza, onde foi capaz de explorar os escritos e objetos dos hóspedes do hotel. "Passei um ano para encontrar o hotel, passei três meses passando o texto e escrevendo-o, passei três meses tirando as fotografias, e passei um dia decidindo se seria esta a dimensão e este quadro... é o último pensamento no processo.”

Outro dos projetos de Calle intitula-se O Cego (1986), para a qual ela entrevistou pessoas cegas, e pediu-lhes para definir a beleza. Suas respostas foram acompanhadas por sua impressão fotográfica, e retratos dos entrevistados. Em 1996, Calle produz um filme intitulado Sexo Última Noite que ela criou em colaboração com o fotógrafo americano Gregory Shephard (seu namorado na época).O filme documenta a viagem pela América, que termina em casamento numa capela em Las Vegas. Ao invés de seguir o gênero convencional de uma história ou de um romance, o filme é projetado para documentar o resultado de um homem e uma mulher que mal se conheciam e embarcam juntos numa viagem íntima.
Calle é conhecida em grande parte pelas obras combinando textos e imagens fotográficas, em um estilo “cool”. A ”Cerimônia de Aniversário” é o seu primeiro grande trabalho e foi concebido especialmente para Art Now 14. Embora feito em 1998, o trabalho tem suas origens nos anos de 1980 a 1993, quando Calle inventa e sustenta uma série de rituais privados e partilhados em torno de seu aniversário. Estas são manifestados como arte, demonstrando quão perto sua vida e sua arte estariam interligadas.

Durante estes catorze anos, Calle proporciona um jantar anual realizando uma festa na noite do seu aniversário. Para cada festa ela convida um grupo de amigos e parentes, o número exato de convidados que corresponde ao número de anos de idade, com um adicional, anônimo hóspede nomeado escolhido por um convidado, para simbolizar o desconhecido do seu futuro. Este foi o mais ambicioso projeto de uma série de rituais que Calle já teria inventado para substituir um obsessiva insegurança que ela experimentou no início da idade adulta. Os convidados traziam presentes, sinais de amor e carinho, e estes Calle exibia em um armário com frentes em vidro, como um constante lembrete desta afeição. No ano seguinte, os objetos se espremiam para dar espaço aos novos presentes. Quando ela completou quarenta anos, em 1993, Calle curou-se desta obsessiva insegurança e já não sentia a necessidade de recordar a sua amizade e laços familiares dessa maneira bizarra.

Os presentes guardados incluem obras de arte, livros e cartas, lixo e antiguidades, itens furtados de um restaurante, garrafas de vinho, chocolates e assim por diante. Colocados atrás do vidro de um armário os objetos de desejo e frustração para o espectador, que não pode pegar nem desembrulhar.

Os doadores nem sempre são identificados e, portanto, é muitas vezes impossível saber se as obras de arte foram dadas pelos próprios artistas (provável no caso de Christian Boltanski ou Annette Messager, improvável no caso do falecido Yves Klein). A mãe de Calle é claramente responsável pelas sensatas e substanciais doações de equipamentos domésticos que chegam todos os anos – grandes demais para mostrar por detrás de vidro e que são representados pela garantia do fabricante. Em outros casos, um determinado tema surge ao longo do tempo: alguém lhe dá frequentemente chapéus.

Calle primeiro explorou este ritual em uma obra fotográfica retratando o armário e seu conteúdo, reduzindo a cerimônia anual e seus objetos, associados a uma série de registros documentais. A Cerimônia de Aniversário chama a nossa atenção para a maneira pela qual construímos nossa identidade em torno de rituais secretos (a partir de formas de auto-indulgência, a formas de autonegação) e com os objetos e as atividades que dão significado e substância à nossa tanto privada como a vida pública. Em transformar pessoais ritual público em exibição “A Cerimônia de Aniversário” também suscita questões sobre o significado desses objetos.

Calle pediu ao escritor e cineasta Paul Auster "para inventar uma personagem que se assemelhasse a ela”. Surge Maria Turner em Leviatã (1992). Esta mistura de realidade e ficção intrigou tanto Calle, que ela criou obras de arte através da personagem ficcional. Em Quarto com uma Vista (2003), Calle passa a noite em uma cama instalada no topo da Torre Eiffel. Ela convidou várias pessoas a ficarem deitadas com ela e lerem histórias, a fim de mantê-la acordada durante a noite. No mesmo ano, teve sua primeira mostra no Musée National d'Art Moderne no Centro Georges Pompidou em Paris.

Na Venice Biennale 2007, Sophie Calle apresentou “Cuide de Você”, palavra da última linha da mensagem que seu ex (Gregore Bouillier) havia deixado para ela em um e-mail. Calle pediu a cento e sete mulheres, incluindo uma atriz (Victoria Abril), uma palhaça e uma bailarina para interpretarem o e-mail e apresentou os resultados no pavilhão francês.

Na sua mostra, na galeria, Calle freqüentemente fornece formas de sugerir como os visitantes devem ser encorajados a apresentar idéias para a sua arte, enquanto ela se senta ao lado deles com uma expressão desinteressada.




O trabalho de Sophie Calle está em exibição até 28 de junho no OI Futuro, no Rio, na exposição coletiva “Meias Verdades”.

LANGRES


Langres é um queijo de leite de vaca, de forma cilíndrica, pesando aproximadamente 180 gramas. É um queijo com um odor pronunciado.
O sal está presente, obtendo um sabor distinto sem ser agressivo e um ”sobre gosto” como alguns têm descrito, como embebidos em mel e trufas.

A casca do queijo é pegajosa e brilhante, mostrando por fora uma magnífica cor laranja natural.

A parte central é macia, de cor creme, e ligeiramente quebradiça, e está rodeada por uma crosta branca (Penicillium candidum).

O queijo Langres é regularmente lavado com um pigmento laranja a partir do Anato (Urucum), árvore encontrada na América. Durante o período de maturação, os queijos são colocados em caves úmidas, a cura geralmente leva de 5 a 6 semanas. Os queijos são regularmente esfregados com água salgada, quer à mão ou utilizando um pano úmido.

É um queijo menos picante do que Epoisses de Bourgogne, seu concorrente local e é melhor consumir entre maio e agosto.

A depressão na parte superior do queijo chamado "fontaine" ou "célula", é intencional. Você pode derramar Champagne ou Marc de Champagne nele.


O ideal é servi-lo em uma tábua de queijos ou com uma salada.

Langres e vinho: Recomenda-se o Vieux-Marc de Bourgogne.

Curiosidade: Se estima que o queijo Langres seja fabricado desde a época dos reis Merovingios. Os merovíngios foram uma dinastia franca salina que governou os francos numa região correspondente, a grosso modo, à antiga Gália da metade do século V à metade do século VIII. Há quem reivindique que eles sejam descendentes de Jesus.


No filme de 2006, O Código da Vinci, a principal personagem, Sophie descobre que ela é uma descendente da linhagem merovíngia.

20 de maio de 2009

CHÈVRE



Chèvre (cabra em francês) é uma modalidade de queijo francês fabricado com o leite desse animal.
Apresenta-se na forma de pequenos rolos, de casca branca, com consistência macia e massa que se esfarela. Tem um sabor ligeiramente salgado.
Na receita tradicional, originária do Sul da França, esses pequenos rolos são moldados a mão, isso explica suas dimensões e formato. Pode ser recoberto com uma fina camada de carvão de carvalho. É considerado um queijo macio sua maturação é de apenas oito dias.

Pode-se consumir o chèvre com torradinhas. Sua composição com outros queijos, em tábuas de queijos, é muito apreciada.

A receita a seguir eu copiei de um site de um rapaz chamado Renato Moraes. Me deu água na boca. Para acompanhar segue a indicação do vinho: Sancerre e Pouilly-Fumé, cidades do Vale do Loire que dão nomes aos seus famosos vinhos feitos com a branca Sauvignon Blanc. Mesmo que você não coma o queijo de cabra, esses vinhos já vêm com seu aroma.


Quiche au Chèvre et Tomates



Rendimento: 6 porções



MASSA - PÂTE BRISÉE



1 1/3 de xícara de Farinha

1 pitada de sal

1 colher de sopa de Ervas*

150g de Manteiga em cubos, gelada

1 Ovo Grande, levemente batido

1 ou 2 colheres de água gelada, se necessário



Com um pilãozinho, misture porções iguais de Alecrim seco, Tomilho seco e Orégano seco. Bata tudo para incorporar e misturar bem, e depois, é só usar o quanto for preciso. Guardar em um saquinho ou potinho, e mantê-lo em um lugar seco.Em uma tigela grande, peneire a farinha e adicione o sal. Coloque também as ervas finas e misture bem. Adicione os cubos de manteiga e, com a ponta dos dedos, comece a incorporá-la na mistura de farinha. Depois da manteiga estar incorporada, fazer um buraco no meio e adicionar o ovo, levemente batido. E continuar incorporando, até obter uma massa relativamente firme. Se estiver muito seca, adicione a água gelada, colher a colher.Faça uma bola, dê uma leve achatada, envolva com filme plástico, e deixe na geladeira por pelo menos 30 min., ou até um dia. Antes de usar, deixe a massa em temperatura ambiente por uns 10 minutos, para não ficar muito quebradiça.



RECHEIO E MONTAGEM



1 cebola Média

1 pouco de azeite

2 tomates grandes

3 ovos grandes

100 ml de creme de Leite (pode ser o de caixinha)

100g de queijo de cabra ralado ou em cubinhos pequenos

1 pitada de orégano

Sal a gosto


Pré-aqueça o forno a 180ºC.Fatie a cebola em fatias finas e dê uma dourada no azeite, em uma frigideira, até que fiquem macias e percam o ardor. Tempere com um pouco de sal.Corte os tomates em fatias finas, tempere com uma pitada de sal e deixe escorrer um pouco.Retire a massa da geladeira, para que fique à temperatura ideal.Em uma tigela grande, misture os três ovos com o creme de leite, e bata um pouco com um garfo. Adicione o sal, o orégano, as cebolas douradas e o queijo, se estiver ralado.Abra a até que fique com uns 30 cm de diâmetro, e coloque em uma assadeira de fundo falso. Pode ser das altas, como as de torta, ou daquelas baixinhas com a lateral caneladas. uma dessas caneladas (melhor ainda se for de silicone) silicone. Com um garfo, faça uns furinhos na massa, para que não surjam bolhas de ar durante o cozimento.Despeje a mistura de ovos e espalhe as cebolas. Adicione as rodelas de tomate e o queijo, se estiver em cubos.Leve para assar por 30 a 35 minutos, até que a massa e o recheio fiquem dourados por cima, e não pareça muito úmido.Espere esfriar, para que o recheio se solidifique. Depois disso, sirva morno à temperatura ambiente ou reaquecido, acompanhado de uma saladinha.



19 de maio de 2009

CANTAL


Queijo de origem francesa ( Auvergne) com massa compacta, semi dura, não é cozida e é prensada 2 vezes. Há três versões: fermier, coopérative e industriel. Quando jovem é bem suave e, já amadurecido, traz sabor intenso. Feito com leite de vaca não-pasteurizado tem formato de tambor e pesa cerca de 45 kg. É seco e enfarinhado, além de escurecer com o tempo. Leva de 3 a 6 meses para maturar. Com cerca de 45% de gordura, o Cantal com affinage* (maturação) de 6 meses tem casca natural, amarelo escura, manchas vermelhas e tons de laranja.


*Affinage: o queijo passa por uma sala fria, úmida e escura; é virado e esfregado 2 vezes por semana por pelo menos 30 dias após a fabricação.


Receita de poucos ingredientes e paladar infantil, como o Aligot, desperta tanto prazer ao comensal do D.O.M. E não é só pelo sabor e pela textura da receita, mas também pelo serviço no salão.


Como na boa e velha restauração, o maître estica a mistura entre colheres a uma altura acima dos olhos do cliente, faz um grande mise-en-scène e pousa uma delicada porção sobre o prato.


Cada serviço, que é quase uma brincadeira, significa uma pequena comemoração. Para preparar um bom Aligot, não há segredos. Ele é feito de purê de batatas (apresento a receita a seguir) e queijo.


Três pontos valem ser observados durante o preparo: a altura do fogo, a firmeza e a constância dos movimentos durante o preparo. O Aligot deve ser feito em fogo baixo porque tanto o purê quanto o queijo sofrem com temperaturas altas (nos dois casos, elas provocam desacomodação da gordura dentro da mistura).




Se o Aligot talhar, não tem jeito, a receita vai para o lixo e tem de ser iniciada novamente. Esse preparo não admite erro. Paciência e firmeza de movimentos durante a execução também são importantes para que haja uma boa distribuição de calor na panela e para que a mistura fique bastante homogênea.






Vamos, então, aos detalhes do preparo do purê. Ele deve ser feito com batatas do tipo rosenthal bem escolhidas e que não sejam demasiadamente serosas. Para checar isso, basta cortar um pedaço de uma batata e passar o dedo sobre a superfície descoberta. No contato, você vai perceber se ela tem naturalmente um pouquinho de cera. Batatas com cera em excesso não são boas. As ásperas também não. Elas vão conferir uma textura um pouco “farinhenta” ao purê.



Escolhidas as batatas, vamos lavá-las, e cozinhá-las com casca em água com sal. Quando elas começarem a rachar, desligamos o fogo e escorremos as batatas. Com elas ainda quentes, e com um pano para proteger as mãos do calor, tiramos-lhes a pele, puxando-a com uma faca de ofício. As batatas têm de estar quentes ao terminar a operação, por isso, ela tem de ser rápida. Depois de descascadas, vamos amassar as batatas duas vezes, e passar por uma peneira muito fina.



O resultado dessa operação tem de ser uma massa com textura bem homogênea. Vamos então somar manteiga e creme de leite e emulsionar vigorosamente. Você pode parar o processo nesse momento e resfriar o purê. Mas nunca resfrie a mistura coberta. O líquido resultante da evaporação pode condensar sobre a cobertura, pingar sobre o purê e azedá-lo.



Uma vez em temperatura ambiente, o purê pode ser levado à geladeira.O clássico Aligot é preparado com dois tipos de queijo, o tome de Cantal ou o Laguiole, que, por acaso, é o nome da cidade onde nasceu (e tem restaurante) um dos maiores ídolos da cozinha, Michel Bras.



Ele usa o laguiole para preparar o Aligot. Na nossa versão tupiniquim, usamos queijo-de-minas padrão (ao qual infelizmente falta padrão) e um segundo queijo, que vai conferir boa elasticidade à mistura. Aqui, vale lembrar que a elasticidade do queijo é diretamente proporcional à quantidade de gordura contida nele. O segundo queijo costuma ser um bom e autêntico Gruyère. Geralmente, usamos 50% de cada um deles, mas se o minas padrão escolhido estiver bastante cremoso e com a gordura ideal, é possível diminuir bastante a quantidade do Gruyère.



Alex Atala já conseguiu fazer bons Aligots com 100% de queijo-de-minas padrão. Voltando ao preparo, vamos ralar o queijo com um ralador manual. Como ele é macio, é natural que acabe grudando um pouco, mas não se preocupe, isso não vai atrapalhar. Para finalizar a receita, em uma panela, vamos aquecer o purê de batatas, somar um pouco de creme de leite e, mexendo vigorosamente, juntar, aos poucos, o Cantal ou o Laguiole, conferindo a consistência. Vamos proceder assim sucessivamente até atingir o ponto desejado.



Mais uma vez repito, o fogo deve ser bem baixo. Como podemos ver, não existe segredo na receita, mas paciência e método. Aligot não é salgado, aligot não é doce. É um prato de transição. Nos menus-degustação europeus, entre os pratos quentes (ou os salgados) e as sobremesas, há sempre uma preparação intermediária. E, lógico, os queijos costumam reinar nesse momento. O Brasil, é fato, vem melhorando a qualidade de seus queijos, mas eles ainda estão distantes do padrão europeu (resultante de séculos de tradição no preparo).


Ao contrário do que se imagina, poucos vinhos fazem boa parceria com essa receita.