Depois de completar 80 anos em 2007, Pierre Paulin revela-se ao mundo como um expoente máximo do Design contemporâneo francês.
Só tardiamente foi reconhecido, apesar de uma carreira invejável de colaborações profissionais ao mais alto nível.
Naturalmente tímido, exageradamente humilde e lúcido sobre a qualidade do seu trabalho, recusou sempre publicidade cujo deslumbramento poderia ofuscar a grandeza e simplicidade da sua obra.
A Artifort, marca holandesa com quem este prestigiado designer colaborou ao longo dos últimos 50 anos, presta-lhe uma homenagem sem precedentes.
A verdade é que a Artifort deve a Pierre Paulin grande parte da sua consagração como marca, e pode dizer-se sem grande exagero que por muito tempo a sua imagem estará irremediavelmente ligada a ele.
Influenciado pelo seu tio Georges Paulin, engenheiro e designer notável que desenhou o primeiro carro sem capota para a Peugeot em 1931, Pierre Paulin interessa-se pelo design depois de um período de grande indecisão em que teria tentado estudar engenharia e mesmo escultura, a sua primeira paixão.
Nos anos 50 descobre o Design holandês, depois o design escandinavo e o seu raio de interesses alargam-se a Alvar Aalto; Saarinen e Charles and Ray Eames por cujo trabalho irá nutrir uma profunda admiração.
Pierre Paulin descobre nos Eames o poder da emoção irradiada por um novo design técnico e racional.
Começou por trabalhar com a Thonet e foi em 1958 que Hans Wagemans o convidou a fazer uma apresentação para a Artifort. Entre tantos outros designers, foi sobre Pierre Paulin que todas as atenções recaíram.
A colaboração que nesta fase se inicia com a Artifort, é o perfeito exemplo da melhor colaboração entre uma marca editora de design e um criador pioneiro da qualidade de um Pierre Paulin.
A Artifort permitiu a Pierre Paulin desenvolver uma aprofundada pesquisa sobre têxteis “stretch” em malha de Jersey, que teria permitido estofar os seus modelos inspirados em formas naturais, arredondadas e sensuais.
É desta época a edição da Oyster Chair, um verdadeiro ícone do design que se mantém em produção até hoje.
Segue-se a Orange Slice Chair.
Da observação de duas cascas de laranja nasce o que é hoje em dia uma das mais reconhecidas poltronas da Artifort.
A partir daí segue-se uma fase de grande fôlego criativo.
Entre inovação e provocação deliberada, surgem uns atrás dos outros os ícones que marcarão a associação à Artifort.
Modelos como a Mushroom Chair, a Rabino Chair ou a Tangue, são as versões mais aplaudidas entre tantas outras criações desta fase e fazem parte do portfólio da Artifort, ainda em produção aos dias de hoje.
Apesar da incontornável reputação como designer de produto, Pierre Paulin esteve sempre ligado a inúmeros e não menos importantes projetos de Design de Interiores.
Destacam-se o apartamento do presidente francês Georges Pompidou no Palais de L’Elysées ou os escritórios da Christian Dior. 